Relato de um pai. Lembranças de um dia mágico.
Era 02/03/2008, um domingo, e já era noite. Minha esposa completado as 40 semanas de gestação, eu já me achando super preparado para ser pai e, de repente, minha esposa começa a sentir um líquido escorrendo pela perna. Pensei: estourou a bolsa! E agora?
Por dentro tremia, mas por fora mantinha a pose de seguro. Afinal, eu estava preparado!
No fim não era a hora, mas fui trabalhar na segunda convicto que tinha que voltar antes do fim do expediente. Voltei na hora do almoço e deixei alguns serviços com outra pessoa (diria que deixei algumas granadas sem o pino, mas fazer o que?). Até então a Kátia tinha alguma contrações, mas me parecia ainda uma fase pré-punk, seja lá o que for isso...
Fomos ao São Luiz e, depois de muita demora, fomos atendidos e não havia dilatação. Foi feito um ultrassom e tudo estava bem, até que voltamos para casa no fim da tarde. Durante o tempo na maternidade pude ver várias mães com cesárea marcada. Aquela coisa de levar 2 malas, esperar na recepção a liberação do quarto, parecendo que chegou em um resort, me incomodou. Acho que ser mãe deve ser muito maior do que ser operada sem necessidade. Acredito que o bebê deve nascer e não “ser nascido”, a não ser quando houver necessidade comprovada. Eu estava preparado!
Já em casa, lá pelas 10 da noite, fui apresentado à fase punk. Relógio, caneta e papel na mão, fui anotando as contrações que já estavam com ritmo regular. Avisei a Ana Cris, o Kaká e a Dra. Andrea (na verdade, nem consigo lembrar se fui eu ou a Kátia quem ligou primeiro, mas que eu falei com eles, isso eu me lembro..). Decidimos esperar ficar um pouco mais punk(!) e fomos novamente ao São Luiz e encontramos a Ana Cris. Quando foi examinada, já estava com 7 ou 8 cm dilatação. Foi quando eu tremi pela primeira vez. Não tinha mais volta e eu iria ser pai. Eu achava que estava preparado.
Fomos para o quarto e a Kátia ficou na banheira para relaxar um pouco. Realmente ela relaxou e acho que foi até demais. A evolução foi lenta durante a madrugada. Me lembro que o que quebrou o ritmo foram uns cookies que levamos. Sucesso absoluto e não sobrou nenhum! Andei pela maternidade de um lado a outro por horas. Entrava e saía do quarto, espiava o andamento e via o revezamento da Ana Cris, Márcia e Andréa dormindo no sofá. Só a Kátia não poderia revezar. Ela era a protagonista de toda a história.
Lá pela 4 e meia, ela sai da banheira e tenta outras posições com um banquinho, anda um pouquinho pelo quarto e o processo “engata” de novo. A Sarah está chegando! Eu já não tinha certeza de estar preparado.
Ela vai para a cama e a Dra. Andrea aplica um mínimo de ocitocina. Já não saí mais do quarto porque só estava convicto que era questão de minutos para o nascimento. Estes minutos duraram mais de 1 hora, mas nunca vou me esquecer de ter visto os cabelinhos da Sarah apontando, ainda dentro da mãe. Acho que perdi a noção do tempo neste instante. Eu queria rir e chorar, gritar e ficar quieto, tudo ao mesmo tempo. Quem estava preparado?
Fiquei com a Kátia o tempo todo nesta reta final, segurando a mão dela, pois não poderia fazer muito mais do que isso. Este era o momento de ela ser Mulher, com todos os M's maiúsculos que possam existir. Ela tirava forças de todas as partes do corpo e canalizava para o nascimento. Me recordo de ter sido um momento tão mágico que me custa acreditar que há mulheres que abrem mão de passar por isso. Me senti orgulhoso de ter casado com esta Mulher! Que sorte a minha!
Às 05:45h, já no dia 04/03/2008, nasce Sarah Oliva Barga. Fiquei tão nervoso que nem conseguia segurar direito a tesoura para cortar o cordão, mas cortei mesmo assim e dei o primeiro banho da vida dela (deve ser por isso que eu continuo dando banho até hoje).
Depois de tantos Réveillon, Natal e aniversários focando meus desejos (não tão) secretos em ser pai, me vi tão envolvido com aquele instante mágico que, definitivamente, não dá para estar preparado. Tem coisas que a gente tem que vivenciar para poder sentir o que é. Ser pai é uma delas.
Neste primeiro contato com minha filha percebi que não era um bebê em meus braços, mas sim um pedaço de mim que se transformou em gente. A partir daí, tive a certeza que minha vida já não era mais minha.
Alessandro
Pai da Sarah, parto hospitalar, 1 ano
P.S.: como terminar sem exaltar a Mulher com quem casei há quase 5 anos? Desde que soube que estava grávida até hoje, com a Sarah completando 1 ano, pude ver a transformação nesta pessoa que um dia não teve muito jeito com crianças mas que hoje é capaz de tirar de letra o papel de mãe. Tive muita sorte de encontrar esta Mulher na Internet e agora tenho outro golpe de sorte ao encontrar este super mãe que estava escondida dentro dela. Só posso agradecer a Deus pelo que ele me proporcionou e dizer: Kátia, eu te amo!
quarta-feira, 4 de março de 2009
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4 comentários:
Alessandro, que lindo seu depoimento!!! É tão bom poder ouvir as palavras de um pai, saber como as coisas acontecem aí do lado de vcs, rsrs... Parabéns pela filha e pela Mulher. Certamente vc as merece, não é?
bjs com carinho
Pauleca (mulher do Filipe, mãe da Teresa e do João)
obrigada, Pauleca!vou mostrar pra ele! beijos
Katia
lindo demais!!!
Que sensível, que huamno...
QUE PAIZÃO!!!!!
Parabéns pra toda família!!!
BJs Ci Calsnski
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